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Riscando o Azul

08/11/2009

tocando-o-azul1Tenho um fascínio por Arranha-Céus. Na verdade tal admiração se extende a tudo que envolve a combinação de uma grande altura, muita adrenalina, imponência e imensidão. O que é meio contraditório devido à minha condição de acrófobo e a um certo narcisismo exacerbado. Porém o medo, alguns casos, é uma forma de admiração, não é mesmo?

Mas esse texto fica restrito aos prédios altíssimos, que além de simbolizarem a prosperidade e superioridade de determinado local, também remetem à engenhosidade humana e sua capacidade de transpor limites com os quais se afronta além do lembrete de que a evolução técnico-científica da humanidade está acontecendo de modo cada vez mais acelerado de algum tempo pra cá.

Não fez a conexão? Basta lembrar de que há menos de um século e meio as maiores edificações dos grandes centros financeiro-culturais do mundo raramente ultrapassavam os 5 metros de altura-salvo torres militares e templos religiosos-e até então Quéops era a maior estrutura oriunda das mãos do homem.

Comparativo de Altura da Torre Dubai.

Comparativo de Altura da Torre Dubai.

Durante aproximadamente uma hora assisti a um programa do Discovery Channel sobre a criação e evolução de tais estruturas, dos problemas básicos a serem resolvidos (estruturas pesadas e grandes demais, transporte de pessoas pelo interior do edifício, superaquecimento, etc.) até os não tão óbvios assim para os leigos (como transportar as estruturas imensas de sustentação quando já se está construindo a 500 metros de altura, o que fazer com as rajadas de vento que a partir de certa altura ultrapassam a velocidade de tufões, como manter o concreto úmido até sua chegada no devido destino) até seu apogeu na construção do Burj Dubai (em árabe: برج دبيTorre de Dubai) que antes de sua finalização-programada para setembro de 2009-já é, de longe, o mais alto edifício do mundo, faltando muito pouco para a complementação de seus 818 metros de altura.

A torre é projetada para suportar diversos tipos de desastres naturais e não naturais, como terremotos de média intensidade, enchentes, explosões, colisões e seu formato “engana” o vento, pois o faz soprar em direções inversas que naturalmente se anulam diminuindo a pressão aérea sobre a estrutura.

Estar inserido no sinônimo da prosperidade num contexto onde o mundo está em crise, só realça o brilho desse que é um dos maiores marcos da engenharia contemporânea.

Isso tudo só me faz esperar ansiosamente pela oportunidade de visitar alguns desses “monstros” de concreto e, por enquanto, só imaginar quem será o gênio que irá ultrapassar a barreira de 1 km de altura e as soluções que irá inventar para alcançar tal feito.

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Aquele que Segue.

08/07/2009

Você já se pegou em um dia completamente sem vontade de fazer nada? Claro que sim. Indisposição e Preguiça são características inerentes ao ser humano. Deixar de fazer coisas chatas triviais ou mesmo importantes e que não deveriam ser adiadas, ou apenas protelar atitudes que serviriam para melhorar nosso padrão de vida é algo que fazemos o tempo inteiro nas diversas decisões que precisamos tomar durante o dia.

Mas, e quando isso se torna uma constante no comportamento, ao invés de ser apenas uma exceção da regra? Como driblar a eterna luta entre consciência e instinto, que rege nossos padrões de comportamento?

É aí que entra uma palavrinha mágica, chamada Disciplina.

A minha (pouca) experiência de vida me mostra que condicionamento para realizar tarefas edificantes (porém pouco prazerosas) tem sua origem no hábito. E esse hábito não-raro vira prazer à medida que se incorpora na sua rotina naturalmente. Um aborígene consegue viver sem banho por meses e não faz idéia do que é a necessidade de escovar os dentes. Você consegue se imaginar por uma semana sem higiene pessoal? Se a resposta é sim, espero sinceramente que  Eu não venha a conhecer você de perto. O esforço inicial pode virar necessidade no futuro. A princípio esse conceito sempre me pareceu restrito a estudos e exercícios físicos. Aquela visão romântica de que é o que você vai ter quando entrar no Exército! E não é errado associar a vida militar como sinônimo, já que a obediência, foco e retidão são as chaves para uma carreira bem sucedida. Porém, de uns tempos pra cá tenho notado que a disciplina em si possui várias outras facetas muito mais interessantes. São outras perspectivas que dão um pouco mais de esperança àquelas pessoas que trocaram um dia de mau humor pelo comportamento de conformismo padrão  que citei ao início do texto. Alguns exemplos:

A garra de um garoto que joga respira futebol o dia inteiro e 90 minutos são pouco para refletir o seu talento.

Altruísmo na iniciativa de alguém que doa algumas horas de seu dia (ou da semana) em prol de ajudar pessoas necessitadas.

Um músico que toca seu instrumento por 10 horas a fio descobrindo peculiaridades e timbres em busca de uma composição que satisfaça sua necessidade por arte.

Um workaholic que não consegue se desligar enquanto não termina um projeto pela empolgação e por acreditar no que está desenvolvendo.

O aluno que descobre um novo talento para os estudos enquanto se esforça para passar num vestibular concorrido.

Embora todas essas alterações no padrão exijam uma dose de sacrifício, quem consegue se beneficiar disso no longo prazo sabe que valeu a pena desde o princípio. E no final de tudo você descobre que o que foi feito está muito mais associado à paixão pelo que se faz e satisfação especial e vale muito mais a pena do que qualquer cochilo que se deixou de dormir, balada que já não acrescentava nada, mas você insistia em ir jurando (ou tentando convencer) a si mesmo de que estava se divertindo, ou horas desperdiçando tempo precioso passeando por lugares aos quais já foi mil vezes ou atividades que não passam de mera distração. É, eu preciso de uma dose um pouco maior de disciplina. Mas depois que começo, não consigo parar.